Sexta-feira, Setembro 23, 2005

Privacidade

O ser humano é irónico, pra não aliená-lo como pervesso. Antes a luta era por mais privacidade, por mais segurança dentre muros (esta era modernidade). Culpávamos os tecnocratas por quererem bisbilhotar nossas vidas, tarados, idiotas, maníacos, loucos, deliquentes. Colocamos grades, cercas, suspeitamos até de um mísero carro a caminho de casa. Enjaulados num quarto.

A internet é dita como libertadora dessa minoria que se dá ao prazer da segurança. Vetor da própria falsa moralidade familiar, da angústia do vazio social. É um campo que ao mesmo instante que abre fronteiras, fecha portas. Não temos mais rosto, apenas imagens sintéticas manipuladas, selecionamos que aspectos temos (a melhor foto para o pior rosto). Espomos muitas vezes nossas vidas de forma ridículo, ou alguns insistem em aparecer pra chamar atenção a uma calada e fria. Hipócritas da socialidade.

Não me considero muito pessimista quanto as novas tecnoligias (esse deve ser o primeiro ponto negativo que aponto). Mas não ela (a tecnologia), mas a sociedade como todo não aparenta maduridade suficiente (alguns alcançaram, exemplos do muitos orkuticidios que acontecem diariamente).

Ainda parecemos crianças diante do fim da história (o fim do futuro, não o planejamos mais como antes, ele é volátil, impreciso, perigoso... não ideológico). No fim, a grande questão não são as novas tecnologias, talvez nem a modernidade tardia (pós-modernidade). São os poucos loucos que ainda se adaptam as novas linhas da sociedade.

As vezes me sinto filho de um época castrada. A transição de pensamento é dura.